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2016, um ano com muitos filmes para ver

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 17.01.16

Um dia escandalizei alguns viajantes quando referi gostar mais de ver filmes em casa do que nas salas de cinema. Claro que isso implica ver os filmes com um ano ou dois de atraso. Mas será que este ano vou resistir a ver The Martian, Hail, Caesar!, Bridge of Spies, 45 Years, Joy, Trumbo?

Pela lista de filmes que espero ver este ano, verifico que continuo a valorizar o guião (Drew Goddard e Andy Weir, os irmãos Coen) e a realização (Ridley Scott, Steven Spielberg). Assim como as homenagens ao cinema (Hail, Caesar!, Trumbo) e ao trabalho dos actores na pele de personagens (Charlotte Rampling, Jennifer Lawrence).

 

Este rio sem regresso revela a vida através do cinema. Agora falta revelar o cinema através dos que o vivem e amam. Realizadores, produtores, actores, edição, fotografia, cenografia, técnicos de som, efeitos especiais, todos contribuem para o resultado final.

Distingui entre vários tipos de cinema: de autor (intimista ou narcísico); próximo do documentário (biografia ou ficção); de ideias (direitos humanos, protecção dos animais e/ou ambiental); de acção (com muitos efeitos especiais); drama; comédia; animação. Pode situar-se no passado (histórico, de época); no presente ou no futuro (ficção científica). Pode utilizar a natureza como metáfora (The Petrified Forest, High Sierra), ou a cidade (The Asphalt Jungle) ou comparar as duas (On Dangerous Ground).

Também valorizei os realizadores, pelo domínio de uma técnica complexa, pela sua criatividade e pelo seu respeito pelo espectador. Assim como os actores, pela forma como vestem a pela da personagem.

 

Como qualquer outra forma de arte o cinema vai-se renovando. Em arte a inovação é fundamental. O espectador quer ser surpreendido. No entanto, a inovação tem sido sobretudo tecnológica. Falta uma inovação cultural. Libertar-se de caminhos percorridos, de clichês (em que o espectador antecipa as cenas seguintes), de piscar de olhos aos diversos fãs (perseguições no meio da rua, pessoas penduradas em precipícios, corridas de carros, explosões, bombas desligadas no último segundo, etc.).

Hoje é a ficção científica que destaco, um filão ainda com muito para dar. 

 

 

 

 

 

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publicado às 11:36

A paz baseia-se no respeito por nós próprios e pelos outros

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 08.01.16

Foi a partir dos debates presidenciais que me surgiu este filme de Nicholas Ray, Johnny Guitar. Neste filme temos os heróis solitarios e corajosos, os malandros deste mundo, e o grupo que funciona como uma barreira a toda a vivacidade dos que pensam pela sua própria cabeça.

Cada geografia e cada época tem os seus heróis, os seus malandros e os seus grupos. Muitas vezes os malandros ganham aos heróis, outras vezes perdem. Os grupos, facilmente manipuláveis, ajudam os malandros pois preferem as personagens às pessoas reais, de carne e osso. 

Neste filme os heróis ganham, mas por um fio. Terão mesmo de se bater com os malandros nas suas condições e com as suas armas. Armas que nunca quiseram usar porque não são as suas. As suas armas são a inteligência, a criatividade e o respeito pelos que os rodeiam.

Tudo neste filme é cinema na sua cor magnífica, nos espaços, no enquadramento, nas sequências, no ritmo, nos diálogos. Nada está a mais, nada.

Percebemos, ao longo das primeiras cenas, o que está em jogo. A rivalidade e a obsessão de Emma por Vienna, que não são correspondidas. O desejo de Emma por Dancing Kid, também não correspondido. E um novo encontro, providencial para os dois, de Vienna e Johnny. 

O filme alerta-nos para nos mantermos atentos e vigilantes. Não basta vivermos em paz e respeitarmos os outros. Porque há sempre outros que não pensam nem vivem assim. Há sempre outros que, não sabendo viver em paz, interferem na paz de muitos.

 

 

 

 

 

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publicado às 15:57


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